Igreja de Santa Rita
Edificada em 1722 pelos pardos libertos sob a invocação de Menino Deus, Santa Rita e Santa Quitéria. Alguns anos depois foi reparada e reedificada com aumento por devotos brancos que passaram a utilizá-la como matriz durante a construção daquele novo templo. É a igreja mais antiga da cidade em virtude da demolição das capelas de São Roque a da antiga matriz.
Igreja de arquitetura jesuítica apresenta nos elementos internos, que a integram, as características do barroco-rococó, notadamente na talha policromada do altar-mor, que possui ladeando o frontão, os únicos anjos orantes em altares da Paraty.
Numa tentativa de dar unidade entre seus altares, quando foi concluída a restauração do altar-mor, foram pintados os dois altares colaterais de canto, que apresentam, assim uma pintura nova. Seus altares são dedicados a Santa Rita, Nossa Senhora da Conceição e Nossa Senhora do Carmo.
Detalhes interessantes nesta igreja são o gradil de suas sacadas internas em madeira finamente trabalhadas e o cemitério contíguo à igreja, no estilo de columbário, separado do corpo da igreja por um adro e um jardim. Este cemitério data do início do século XIX.
Nela funciona hoje o Museu de Arte Sacra de Paraty, sob a responsabilidade do Instituto do Patrimônio Histórico e Artística Nacional IPHAN – com exposição permanente de imagens, prataria, alfaias e objetos sacros da paróquia.
A igreja de Santa Rita, fundada sob o título de Menino Deus, Santa Rita e Santa Quitéria pelos “homens pardos libertos do distrito”, data de 30 de junho de 1722, sendo Vigário na época o padre Manoel Vaz Cordeiro.
Esta igreja, com sua respectiva Irmandade, cuja construção foi iniciada na mesma década da igreja de São Benedito, reunia as cores pardas de Paraty ” tanto na vida quanto na morte”: em vida, nas cerimônias religiosas; na morte, pelo direito de se enterrar no cemitério da Irmandade, em forma de catacumbas, existente até hoje ao lado da igreja.
A criação dessas irmandades no Brasil visava acentuar ainda mais a diferença entre negros e mulatos, criando também uma subordinação aos brancos. Assim foi com a igreja de São Benedito, construída por negros, que a igreja não permitiu que o santo negro fosse o orago principal; a própria igreja católica sempre alegou que São Benedito era “afilhado” de Nossa Senhora do Rosário – razão pela qual a igreja em Paraty, como no resto do país, desde o início da colonização, tem por denominação primeiro o santo branco, depois o negro.
Em termos de arquitetura religiosa, a igreja de Santa Rita, construída num largo defronte à baía de Paraty, sendo avistada ao longe por quem se aproxima do cais da cidade, constitui o mais belo exemplo de barroco no município. O trabalho de madeira nas portas, de ferro nas sacadas do coro, o apuro na cantaria, a talha dos altares laterais, enfim, em tudo ela é a mais valiosa de todas. Não foi à toa que esta igreja acabou se tornando o cartão postal da cidade.
Assim como o próprio templo, a Irmandade de Santa Rita era rica em objetos de prata, ornamentos, alfaias, apólices e “mais pertences” – conforme se verifica no Livro de Inventário da Venerável Irmandade da Gloriosa Santa Rita, datado de 10 de abril de 1911.
Na mesma igreja funcionaram as Irmandades de N.S do Carmo e de N.S. da Conceição, que ali realizavam suas festas. Isso não mais acontece hoje em dia.
A festa em louvor de Santa Rita, que costumava se realizar numa data fixa, 22 de maio, foi transferida para não coincidir com a festa do Divino, que é móvel. O adiamento da festa de Santa Rita mais uma vez evidencia a subordinação da Padroeira das Cores Pardas de Paraty à tradicional festa da burguesia branca da cidade, o Divino.
Essa divisão de indivíduos funcionava em todo o Brasil, enquanto que a Igreja Católica, pelo seu ecumenismo, não aceitava uma divisão baseada na cor da pele, considerando “todos os homens como filhos de um mesmo Pai”. Assim, a matriz de N.S. dos Remédios, era da burguesia branca; a igreja de N.S. do Rosário, dos escravos; a de Santa Rita acolhia os pardos libertos e a capelinha de N.S.das Dores era freqüentada pela elite local. Em Paraty, como no resto do país.
Hoje em dia, as festas religiosas de Paraty – como a de Santa Rita – se realizam sem discriminação, mas sempre com novenário, missas, procissões, leilões, barraquinhas de comes e bebes e shows musicais, constituindo-se sempre em motivo de reunião dos moradores da zona rural e do centro urbano. Esse aspecto de integração entre as comunidades é muito comum em todas as festas do município de Paraty.
Oração a Santa Rita
Poderosa e gloriosa Santa Rita de Cássia, chamada a Santa dos impossíveis, advogada dos casos desesperados, auxiliar na hora extrema, refúgio na dor, salvação para os que se acham nos abismos do pecado e do desespero: com toda a confiança no vosso celeste patrocínio, a vós recorro no difícil e imprevisto caso que dolorosamente me aflige o coração. Dizei-me, Santa Rita, não me quereis auxiliar e consolar? Afastareis o vosso olhar piedoso do meu pobre coração angustiado? Vós bem sabeis, vós bem conheceis, o que seja martírio do coração. Pelos sofrimentos atrozes que padecestes, pelas lágrimas amaríssimas que santamente chorastes, vinde em meu auxílio! Falai, rogai, intercedei por mim, que não ouso faze-lo ao coração de Deus, Pai da misericórdia e fonte de toda a consolação, e obtendo-me a graça que desejo.(Fazer pedido). Apresentada por vós que sois tão cara a Deus, minha prece será aceita e atendida certamente: valer-me-ei deste favor, para melhorar a minha vida e os meus hábitos, e para exaltar, na terra e no céu, as misericórdias divinas. Amém.
SANTA RITA DE CÁSSIA
Santa Rita de Cássia ou Santa dos Impossíveis, como é geralmente conhecida a grande advogada dos aflitos, nasceu em Rocca Porena, perto de Cássia (Itália), em 22 de Maio de 1381, tendo por pais Antônio Mancini e Amada Ferri. O nascimento da Santa foi precedido por sinais maravilhosos e visões celestiais que fizeram seus pais perceberem algo da futura e providencial missão de Rita, que seria colocada no mundo para instrumento da misericórdia de Deus em favor da humanidade sofredora.
Desde jovem, Rita tinha intenção de ser religiosa, mas seus pais, temendo que ela ficasse sozinha, resolveram casá-la com um jovem de família nobre, mas de temperamento excessivamente violento. Ela suportou pacientemente tal situação por 18 anos. Como ele tinha muitos inimigos, foi assassinado. A viúva suportou a dolorosa perda, perdoando os assassinos. Porém, crescia em seus filhos o desejo de vingança. Rita pediu que Deus os levasse, pois seria melhor que outra tragédia. Assim, perdeu os filhos. Rita estava livre para dedicar-se a Deus e pediu para entrar no Convento das religiosas Agostinianas da cidade. Mas naquela comunidade só podiam entrar virgens. Então, ela transformou sua casa num claustro, onde rezava as orações habituais das religiosas.
Uma noite, enquanto rezava, ouviu três batidas violentas em sua porta e uma voz lá de fora dizia: “Rita! Rita!”. Abriu a porta e viu em sua frente três Santos, que rapidamente a levaram ao Convento onde havia sido negada três vezes. Os mensageiros fizeram-na entrar, apesar das portas estarem fechadas, e deixaram Rita de Cássia em um dos claustros. Depois desapareceram.A superiora ficou fascinada com essa manifestação Divina. As religiosas decidiram por unanimidade que a viúva fosse recebida. Admitida noviça Rita começou a trabalhar para realizar seus desejos. Consagrou-se à oração e penitência, seu corpo foi seguidamente flagelado. Passava os dias a pão e água e noites sob vigília e oração.
Certo dia pediu com extraordinário fervor que um estigma de Jesus aparecesse para sentir a dor da redenção. Em uma visão, Rita recebeu um espinho cravado em sua testa. A chaga ficou por toda a vida e ainda pode-se vê-la em sua cabeça conservada intacta com o resto do corpo.
Um dia uma parente foi visitá-la, ela agradeceu a visita e ao se despedir pediu que lhe trouxesse algumas rosas do jardim. Como era inverno e não tinha rosas, pensaram que Rita estava delirando e sua visitante não ligou para seu pedido. Como para voltar para casa teria que passar pelo jardim olhou e se surpreendeu ao contemplar quatro lindas rosas que se abriram entre os ramos secos. Admirada do prodígio, entrou no jardim, colheu as flores e as levou ao Convento de Cássia. Nesta época, Rita estava muito doente e morreu em 22 de Maio de 1457.
No dia seguinte, seu corpo foi colocado na Igreja do Convento. Todos os habitantes da cidade foram venerar a religiosa.
Santificação e corpo intacto
No século XVII foi beatificada e em 24 de Maio de 1990, canonizada. O corpo de Santa Rita de Cássia continua conservado intacto até hoje. Qualquer pessoa pode contemplá-la na Igreja do Convento de Cássia, dentro de um relicário de cristal. Depois de tantos anos, seus membros ainda têm flexibilidade e pela expressão do rosto, parece estar dormindo.
Bênção das rosas
“Ò Deus, criador e conservador do gênero humano, supremo doador das graças espirituais, que concedeis generoso a salvação: dai a vossa benção a estas rosas, que nós, os devotos de santa Rita, vos apresentamos, pedindo que abençoeis. Por elas sejam curadas todas as enfermidades das pessoas que a usarem, trouxerem consigo, conservem em casa ou em qualquer lugar, e devotamente as guardarem. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, na unidade do espírito santo. Amém.
Hoje as rosas de Santa Rita nos doam o amor de Deus.
Obrigado Jesus pela advogada das causas impossíveis!
Este sinal do espinho, chaga, foi mais do que um sofrimento, foi a prova de sua participação na paixão de Cristo. Que Rita de Cássia possa ser exemplo de menina, jovem, mulher, esposa, mãe, viúva, religiosa…
(João Paulo II)
Mensagens de Santa Rita
Não existem livros, cartas ou diários escritos por Santa Rita. A sua mensagem provém de sua vida simples e heróica.Santa Rita é uma grande evangelizadora. Ela não anuncia a si mesma, mas ao Senhor Jesus e a força do seu Mistério Pascal de cruz e Ressurreição. Santa Rita é a manifestação vigorosa do Espírito Santo, que fala e age também na Igreja e no mundo de hoje.
Às mulheres
Santa Rita, antes de mais nada, quer transmitir sua mensagem às mulheres de todas as idades e condições, porque ela conhecer pessoalmente os papéis femininos de filha, esposa, mãe, viúva e religiosa.
Santa Rita anuncia à mulher, o evangelho da liberdade, liberdade der ser ela mesma, de defender a própria dignidade e a de quem é mais fraco.
Ela proclama o evangelho da interioridade, porque sem esta, não existe liberdade, e as coisas passageiras podem facilmente seduzir e escravizar o coração.
Santa Rita encarna o evangelho do serviço, porque somente quem perde a própria vida por amor a encontra verdadeiramente.
Aos cônjuges
Santa Rita anuncia aos esposos o evangelho da fidelidade ao próprio cônjuge.
Ela proclama o evangelho do perdão, porque quem erra anda errante e somente será ajudado se não for condenado por nós.
Aos pais
Aos pais, Santa Rita anuncia o evangelho da coerência, porque, de fato, só se é educador pelo exemplo.
Ela anuncia o evangelho da confiança, para que, a família, egoisticamente, não se feche ao futuro e não destrua a vida.
Ela proclama o evangelho da oração, porque abrir-se a Deus, significa construir a própria família sobre a rocha.
Aos jovens
Santa Rita se dirige aos jovens de hoje como uma mãe aos próprios filhos.
Ela anuncia aos jovens o evangelho da esperança, porque a vida tem sentido, porque Deus nos ama e não nos deixa sozinhos.
Ela proclama o evangelho da obediência, porque somente partindo da humildade se constroem grandes coisas.
Santa Rita anuncia aos jovens o evangelho da generosidade, porque com esforço próprio pode-se superar a lógica do ódio e da violência.
A quem sofre
A quem sofre Santa Rita anuncia o evangelho da proximidade do Deus Crucificado, Consolador e Salvador.
Ela proclama o evangelho da fortaleza em carregar a própria cruz junto a Cristo.
Santa Rita encarna o evangelho da compaixão, porque sofre com quem sofre e socorre todo sofrimento com a sua poderosa intercessão.
Aos consagrados
À pessoa consagrada (religiosos e religiosas) Santa Rita anuncia o evangelho da alegria que surge da doação total a quem vale muito mais do que o cêntuplo: o Senhor Jesus.
Ela proclama aos consagrados o evangelho da comunhão, porque na tensão em configurar-se a Cristo “não mais exista homem ou mulher, e todas as divisões sejam superadas”.
Enfim, a todas as pessoas que encontra, Santa Rita anuncia o evangelho da paz universal, para que sejamos todos sempre irmãos e irmãs, filhos e filhas do mesmo Pai.
Posts Relacionados:
Bairro:
OUTRO
Telefone:
(0xx24) 3371-1467
Twitter:
Orkut:
Facebook
Categorias
Tags/Keywords
